A nova campanha está a criar polémica, com direito a grupo no Facebook.
Lançar uma campanha sobre a qual ninguém fala é, como diz Duda Mendonça, publicitário brasileiro, comunicação que "nem fede, nem cheira bem". Para o responsável pela recém chegada agência Duda Portugal, as críticas que têm chegado via Facebook à nova campanha para o Pingo Doce são "precoces".
"É impossível agradar a toda a gente, mas gostamos que se esteja a falar sobre a campanha. De qualquer forma é cedo para avaliar, porque as pessoas só viram um de 19 filmes que ainda vão passar na televisão", disse em entrevista ao Diário Económico.
Só em Outubro foi conhecida a chegada a Portugal da agência de comunicação Duda Propaganda, mas já no final de Julho a maquete para a nova campanha tinha sido aprovada pelo único cliente da agência, o Pingo Doce. As gravações decorreram em Setembro e a 7 de Outubro já estava no ar. No dia seguinte nascia no Facebook o grupo "Gente que não grama o anúncio do Pingo Doce do Duda", já com mais de 1600 membros.
Segundo Angelo Marques, criador do grupo na maior rede social do mundo, o novo anúncio está "perfeitamente desenquadrado do património que até aqui havia sido construído por quem trabalhava a marca". Quanto às repercurssões do ‘marketing viral', Angelo Marques considera "serem óbvios dois cenários possíveis: a campanha ser retirada do ar e a comunicação da marca ser repensada ao encontro dos muitos ‘insights' do público ou facto de esta mobilização ter criado principalmente um sentimento "a favor" da marca, embora contra quem cria ou controla a comunicação", afirmou ao Diário Económico.
Campanha no ar a meio gás
"Não estou a lançar uma coisa de risco. Fizemos testes de mercado junto do público da marca e até agora o ‘feedback' tem sido muito positivo. Não estou a fazer campanha para críticos de propaganda nem estudantes de comunicação", garante o publicitário. "Criámos um primeiro ‘spot' com uma fórmula musical porque pega mais, mas a campanha está no ar com apenas 10% do seu potencial. E aqui o que interessa é o cliente, até porque apenas ganhamos se o cliente tiver mais vendas", acrescentou o responsável pelo ‘marketing' político por detrás da eleição de Lula da Silva, em 2002.
Duda Mendonça garante que, apesar do mercado publicitário brasileiro ser mais agressivo e competitivo, há muitas semelhanças. "Tal como cá, as pessoas não gostam de publicidade comparativa, nem gostam de crítica. Querem ver preço, qualidade e bom atendimento. E foi o que fizemos, mostrámos o interior da loja que não aparecia na comunicação anterior".
Duda desvaloriza o ‘buzz' generalizado nos novos media, assinalando o facto de, "provavelmente, estar a ser mobilizada por um público mais jovem que nem sei se é consumidor do Pingo Doce. Quem gosta da campanha não fica falando na Internet que gostou, vai à loja e faz as compras", afirmou.
Para o brasileiro, importa agora "consolidar a relação com o cliente, compreender melhor o mercado português, sem precipitações", afirmou.
in Económico
Petição contra o anuncio:
http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2009N509